| A orgonoterapia é o produto de um longo percurso desde a
análise do caráter e a vegetoterapia, duas etapas anteriores
nesse desenvolvimento. Ao longo desse processo, podemos definir a existência
de duas tendências.
Uma aponta na direção da abrangência: a integração,
a inter-relação de domínios diferentes, funcionamentos,
instâncias, etc, tendo como exemplos a dinâmica Soma–Psique,
a relação caráter-couraça muscular, a noção
de um funcionamento sistêmico, entre outros.
Uma segunda aponta para a síntese: o unitário, o essencial,
os processos subjacentes funcionais, tendo como exemplos o referencial
econômico–energético, a noção de unidade funcional,
o genital, o orgástico, etc.
Essas duas tendências ou princípios, na obra de Reich,
tem existência conjunta e complementar. Por isso, a orgonoterapia
está longe de ser uma abordagem clínica apenas centrada na
intervenção corporal ou biofísica. No trabalho que
vou apresentar, pretendo estudar especialmente a situação
de manejo transferencial numa abordagem ao mesmo tempo caractero-analítica
e orgonômica.
Nessa instância, a intervenção se dá tendo
como foco a relação; mas registra, se utiliza, direciona
e integra acontecimentos somáticos advindos dessa intervenção,
tanto no encaminhamento específico que está sendo feito naquele
momento, quanto na situação clínica geral do caso.
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