CURSO
BRINKANDO NA ESCOLA Apresentar aspectos teóricos e práticos desse novo campo de pesquisa,
destacando o papel do educador na relação psicopedagógica
para favorecer a expressão dos afetos e/ou emoções do educando,
propiciando a liberação da capacidade respiratória e conseqüentemente
da aprendizagem.
Este trabalho contribui em medidas práticas, como mediadores no processo
de desenvolvimento da criança; propiciando manejos de técnicas
facilitadoras para o processo de aprendizagem, através de atividades
lúdicas do brincar, com o objetivo de favorecer a evolução
psíquica e seu desenvolvimento, para que o professor possa desempenhar
seu papel social com prazer e alegria.
PERÍODO E HORÁRIO:SEXTA: 9:00 às 13:00hs / l4:30 às 19:30 hs.
SÁBADO: 9:00 às l3:00hs / 14:30 às 19:30hs.
Profissionais das áreas de educação e saúde, que trabalham ou pretendem trabalhar com grupos (a partir da pré-escola).
CUSTO: R$ 200,00 reais (dividido em 2 parcelas).
| SÃO PAULO | MAIO – 20 e 21 de 2005 | |
| RIO DE JANEIRO | JULHO – 1 e 2 de 2005 | |
| MACEIÓ | ABRIL – 1 e 2 de 2005 | |
-Autora do livro traz a contribuição para os educadores que, no espaço escolar e social, vivenciam não só uma reflexão, mas também medidas práticas, como mediadores no processo de desenvolvimento da criança; propiciando manejos de técnicas facilitadoras para este processo de ensino e aprendizagem e desempenhando sua função social de forma prazerosa e alegre.
- Brinkando na escola: o espaço escolar como criação e crescimento.
- Arte & Ciência editora, 2003 - São Paulo - SP.
-
Autora do livro "Brinkando com o Corpo", que focaliza a tensão
corporal da criança através do uso do brinquedo, identificando
o tipo de energia de cada brinquedo, partindo do pressuposto que este representa
as relações objetais da criança, onde se originam os conflitos.
Trata-se de uma obra que contribui para um estudo da profilaxia da neurose.
- Brinkando com o Corpo - Clipper Editora, 1999 - São Paulo, SP. Disponível aqui.
Psicóloga clínica.
Coordenadora geral da Clínica e do Núcleo
de Estudos Neo-Reichianos, desde l987.
Supervisora na área de terapia corporal com crianças
e adolescentes e na área de orientação familiar.
Formação em psicoterapia corporal (Grupo
Ipê e Grupo Agora, em São Paulo). Formação em Psicodrama.
Especialização com Gerda Boyesen (Londres),
com Keleman (Estados Unidos) e com Lowen (Estados Unidos).
Mestranda em Educação, na Universidade do Oeste Paulista.
INFORMAÇÕES:Rua Honduras, 228 - Jardim Alto Rio Preto
São José do Rio Preto - SP - CEP
15020-210
(0xx17) 232-1203
bsrocha@terra.com.br
Brasilda dos Santos Rocha
Este trabalho constitui um estudo voltado para a intervenção
em crianças, visando a fortalecer sua “saúde psíquica”.
Tem objetivos teórico-práticos que abordam a discussão
das hipóteses levantadas por alguns autores, que utilizam o brincar como
forma de prevenção em saúde mental. Nosso propósito
nesta pesquisa foi introduzir na realidade educacional a utilização
de brinquedos com finalidades pedagógicas e profiláticas, para
promover a evolução da criança.
No presente trabalho apresentamos técnicas facilitadoras para o processo
da aprendizagem, por meio de atividades lúdicas, em crianças da
primeira série do ensino fundamental, com o objetivo de favorecer a evolução
psíquica e o seu desenvolvimento.
Nossa preocupação primordial consistiu em introduzir na realidade
educacional a utilização de brinquedos com finalidades pedagógicas
e profiláticas, para recuperar com o lúdico, a energia vital da
escola, dos professores e dos alunos.
A origem desta pesquisa situa-se no trabalho que desenvolvemos em supervisão
e formação de profissionais que atuam na área escolar,
com crianças e adolescentes portadores de distúrbios de comportamentos
(agressividade, falta de concentração), expectativas frente a
uma situação nova (mudança: de série, de professores
ou de período), falta de motivação, fobias, apatia, ansiedade
elevada, inseguranças... Essa atuação nos apontou a necessidade
de trabalhos, que possam contribuir para intervir na realidade escolar.
Percebemos os nossos limites como psicólogos clínicos, a restrição
no campo social para o trabalho, mas o desejo de ampliar a técnica reichiana
num campo social, que é a realidade educacional, na qual a criança
passa muitas horas de seu dia, motivou o enfrentamento do desafio.
Em nosso trajeto de atuação clínica, percebemos mediante
o contato com os professores, a sua carência de conhecimentos para atingir
o psiquismo da criança e, ao mesmo tempo, percebemos na prática
clínica a necessidade de trabalhos que possam favorecer crianças
que atualmente não podem freqüentar clínicas, mas que necessitam
organizar seu mundo interno para que alcancem as metas do aprender.
Muitas crianças da primeira série, já se encontram alfabetizadas,
mas castradas no seu desejo do brincar. É um corte abrupto, na sua infância,
de um desejo tão necessário em troca da aquisição
do simbolismo da leitura e da escrita, efetuado de forma massacrante.
Em decorrência desse processo se pode constatar a desmotivação
da criança para a escolaridade, assim como quadros de fobias, mais acentuados
em determinadas escolas, como agressividade e outras queixas que perturbam intensamente
o cotidiano da criança.
Nossa proposta de trabalho está norteada por pressupostos reichianos,
baseando-se no conceito da fórmula da vida, associados a conceitos simbólicos
e significados dos brinquedos, a fim de que o profissional no contexto educacional
possa ter um papel ativo diante do educando para direcionar o fluxo energético.
Como psicólogos atuando em saúde mental infantil, deparamo-nos
diariamente com o conflito: criança e escola, que se mostra através
da dificuldade que a criança encontra na aquisição de um
novo conhecimento e a sua falta de motivação para ele. Em contrapartida,
confrontamo-nos com a escola e os professores, cuja meta é transmitir
esse conhecimento para uma criança que não apresenta o desejo
do saber.
Como temos consciência dos conflitos psíquicos apresentados anteriormente
ao processo de aprendizagem, formados no desenvolvimento da personalidade, constatamos
a impossibilidade de muitas crianças para a aquisição da
alfabetização, por se apresentarem bloqueadas, ou seja, não
terem espaço psíquico para novas aquisições.
Em nosso trabalho, tomamos o cuidado para não ter uma visão unilateral
do processo de aprendizagem da criança; por isso buscamos integrar as
questões sociais e institucionais, como pertencentes a esse processo,
buscando resgatar a integração da relação criança,
escola e professor, numa totalidade do processo de aprendizagem.
Esse percurso, mostrou-nos vários tipos de trabalhos que se referem ao
problema, com várias justificativas, desde a formação dos
conceitos da aprendizagem, ou por professores não preparados, ou conflitos
familiares, ou alunos com déficit de quociente de inteligência
(Q.I.), sempre justificativas intrigadas num jogo político e social.
Temos consciência da existência do problema e da necessidade de
a escola e seus profissionais exercerem um papel ativo para a superação
destes conflitos.
Com essas demandas, nosso enfoque pretendeu efetuar uma proposta de técnicas
facilitadoras da aprendizagem, visando a criança e sua relação
com o professor, que podem estar sincronizados nessa relação,
para que o processo ocorra.
Norteados pela visão reichiana e por ser um trabalho de cunho pedagógico
e profilático, não estamos baseados em conceitos que facilitam
o processo de consciência do conflito da criança, apenas direcionamos
nosso objetivo para a mobilização da energia vegetativa do organismo,
por intermédio do fluxo do brincar.
Nesse sentido, o que visamos foi a criação de condições
para a criança brincar no contexto escolar, direcionando o fluxo libidinal
ou energético, por meio do lúdico e propiciando ansiedades necessárias
para o desenvolvimento psíquico da criança. Para atingir esse
objetivo, entendemos que o educador também deve sentir e vivenciar o
brincar, para ter consciência de que o brinquedo representa o corpo e
de que a criança está fusionada a essa energia e de que o papel
do educador é apenas de facilitador para que ocorra esta transfusão
de energia através do brincar.
Este trabalho teve como proposta descongelar a energia vital do educador conjuntamente
com a criança, com o uso de técnicas facilitadoras do processo
de aprendizagem, para maior satisfação nas atividades e diminuição
das ansiedades naturais do desenvolvimento psíquico, tornando-as capazes
de mobilizar a energia nos níveis psíquico e somático.
Como fazemos uma associação do fluxo libidinal com o brincar,
estamos capacitando o organismo a ampliar sua capacidade energética.
Os resultados permitem reafirmar o brincar como grounding, pelo fato de cada
brinquedo possuir sua carga energética e capacitar a criança a
mobilizar conteúdos saudáveis inerentes ao seu processo de desenvolvimento
psíquico. Como o brincar favorece o clímax dessa energia, essa
descarga possibilita o bem-estar, trazendo uma sensação agradável
e de alegria. O brincar é um agente facilitador para o processo de equilíbrio
energético.
Associamos à proposta reichiana, o uso do corporal, às técnicas
lúdicas como forma de favorecer o desenvolvimento da personalidade da
criança, em um contexto educacional.
Como “a criança é corporal, portanto não está
tão aprisionada em suas couraças como o adulto, ela se expressa”.
(ROCHA, 1998, p. 11). Este trabalho teve o objetivo de aprofundar o conceito
de Reich expresso na fórmula da vida, pressupondo uma circulação
energética sem obstáculos, que é expressa na fórmula
do orgasmo: tensão, carga, descarga e relaxamento.
Nesse momento de crise social, a indiferenciação e desmotivação
no processo de aprendizagem podem sugerir que a criança encontra-se confusa
e regredida em seus impulsos primários, e que não se encontra
identificada com um impulso natural agressivo, de busca de um movimento e de
satisfação, para uma necessidade vital, pois crescer significa
lutar e competir.
Como essa criança poderá identificar-se construtivamente com o
processo de aprendizagem, se está afetada em sua condição
primária vital? O que fazer com o processo educacional, se não
temos acesso a todas as crianças? Essas questões nos fazem sentir
muita impotência, pois devemos ter uma visão mais ampla a fim de
atingirmos o processo educacional.
Podemos considerar um sistema educacional e familiar enfraquecido, encouraçado
formando atitudes débeis de ego, ocasionando um sistema depressivo, pelo
desconhecimento da realização do prazer, com distorções
das próprias sensações e percepções. Como
Reich aponta “[...] a estrutura de caráter é o processo
sociológico congelado de uma dada época”. (REICH, 1979,
p. 18).
Ou, como aponta Melanie Klein (1975), todas as crianças passam por um
processo neurótico, apenas diferindo de intensidade os sintomas. Essa
é a importância do trabalho para facilitar o processo de desenvolvimento
psíquico.
Esse processo pode ser vivenciado na escola se o papel do educador na relação
psicopedagógica favorecer a expressão dos afetos e/ou emoções
do educando, propiciando a liberação da capacidade respiratória
e conseqüentemente da aprendizagem. Nesse sentido é fundamental
que o professor passe por esse processo e reconheça em si a sua criança
bloqueada e recalcada em um mundo sem significado, impedindo-o de desempenhar
o seu papel como educador, que promova amor e alegria.
Consideramos necessário a direção da escola selecionar
o professor a ser treinado, principalmente pelo fato de que o espaço
“brincar” é excluído na primeira série, sendo
apenas relevante no horário do recreio.
Como associamos que, no brincar está presente o nível de carga
de energia, procuramos direcioná-la para o seu aumento, em busca de seu
clímax, auxiliando um processo de descarga vegetativa, sem que necessariamente
a criança precise mobilizar para a consciência os seus conflitos,
mas possa favorecer uma sensação de bem-estar e de alegria. Com
esse processo, podemos facilitar o amadurecimento psíquico e a integração
do ego da criança e, dessa forma, estaremos propiciando o processo natural
de auto-regulação do organismo. Assim estamos intervindo no aspecto
psíquico e somático, encorajando o sentimento de unidade do corpo.
Essa é também uma forma de educação que a escola
pode propiciar.
No trabalho terapêutico, temos como objetivo trabalhar a dissolução
das resistências, para entrar em contato com o conflito, o qual depende
da maleabilidade das couraças. No educar, a intervenção
deve mobilizar a energia para ocorrer o processo de metabolização,
visa portanto, à restauração do prazer no ato educativo
– promover encontros de seres desejantes de ensino e aprendizagem, que
deseja que esse fenômeno possa ser vibratório.
Essa vibração possui um tom, um som, e que o treino do professor
para falar criativamente é o aprendizado do amor, é a linguagem
do som que vai tocar o coração da criança. A sensibilidade
do professor desenvolverá o processo de “nutrição
vital” para o fluxo de energia. Assim, seremos continentes para nossas
emoções, atingirmos o fluxo cósmico e reconheceremos o
nosso papel ativo de transformadores.
Ou como aponta Eva Reich (1998, p.39) “A auto-regulação
é um princípio amplo, abrangente: chamo-o de democracia em todos
as relações sociais, na família, na escola, etc. Significa
que todos, tanto os componentes de um sistema quanto os afetados por ele, têm
voz em decisões coletivas”.
====================
INDICACOES BIBLIOGRAFICAS
ABERASTURY, A. El niño y sus juegos. 1.ed. Buenos Aires: Paidos, 1968.
______ . Psicanálise da criança. Tradução de Ana
Lúcia Leite de Campos. 1.ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
GOODENOUGH, F. L. Teste de inteligência infantil: por medio del dibujo
de la figura humana. Buenos Aires: Paydos, 1951.
KLEIN, M. Psicanálise da criança. Tradução de Pola
Civelli. 2.ed. São Paulo: Mestre Jou, 1975.
LOWEN, A. Bioenergética. Tradução de Maria Sílvia
Mourão Neto. 1.ed. São Paulo: Summus, 1982.
REICH, W. A função do orgasmo. Tradução de Maria
da Glória Novak. 3.ed. São Paulo: Brasiliense, 1977.
______ . Análise do caráter. Tradução de Maria Lizette
Branco e Maria Manuela Pecegueiro. 1.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1979.
REICH, E. & ZORNÀNSZKY, E. Energia vital pela bioenergética
suave. Tradução de Claudia Abeling. 1.ed. São Paulo: Summus,
1998.
ROCHA, B. S. Brinkando com o corpo. 1.ed. São Paulo: Cliper, 1998.
ROCHA, B. S. Brinkando na escola. 1.ed. São Paulo: Editora Arte &
Ciência, 2003.
====================
Brasilda dos Santos Rocha
Cidade: São José do Rio Preto/SP - Brasil
E-mail: bsrocha@terra.com.br