Susana Hertelendy

    
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Curriculo

Mestre em Psicossociologia pelo EICOS/UFRJ - Novembro de 1998. 
 
Bacharelado em Psicologia pela Columbia University, NY, EUA; 
Revalidação pelo Instituto de Psicologia da UFRJ, Rio;
 
Psicoterapeuta Corporal
Diploma em Biossíntese certificado pelo Centre for Biosynthesis International, Suiça. 
 

Non-US Full Member EMDR International Association
Nível I com Dra. Graciela Rodriguez em 1999
Níveis I e II com a Dra. Francine Shapiro em 1999

Conselheira em dependência química, Hazelden Rehabilitation Center, Minnesota, EUA.  
 
Co-fundadora do Quiron Centro de Estudos e Práticas Transomáticas, Rio;  
 
Trabalho apresentado com equipe de psicoterapeutas no Congresso Internacional de Psico-Oncologia, NY, EUA. 
 
Formadora de terapeutas em abordagens somáticas. 
 
Guest Trainer  Internacional da equipe de formadores de terapeutas do Transformational Energetics and Arts, Inc. NY, EUA. 
 
Editora Internacional da Revista Eletrônica Bapera/Artes da Cura: www.artesdecura.com.br  
 
Autora de artigos publicados.   
 
Palestrante.
 

Depoimento

Parece-me significativo que eu esteja entrando em contato com a abordagem psicoterapêutica denominada EMDR -- sigla em inglês referindo-se ao que designamos por Dessensibilização e reprocessamento através de movimentos oculares --  nesse estágio da minha vida profissional.  Como psicóloga, com 25 anos de formação na área e 20 anos de prática clínica, tenho buscado integrar conhecimentos adquiridos em Psicoterapia Centrada na Pessoa, em Gestalterapia, nas diversas abordagens somáticas Neoreichianas -- e, mais especificamente, na Biossíntese --, em hipnose e nos aproximadamente 13 anos de vivência pessoal na prática meditativa voltada ao exercício da circulação energética, designada em certos meios como healing.

Algo nessa prática mencionada por último e que não é uma psicoterapia, me faz pensar no que percebo como fundamental num processo de busca de auto-conhecimento e de transformação.  Para efeitos desse breve relato, a idéia central que relevo desse método de trabalho é que recurso externo algum produz efeito quando desvinculado de uma progressiva conscientização do que é “nosso,” do que pertence à área da nossa responsabilidade e “escolha,” para além da nossa história explicativa.  Também não levam a lugar algum, na minha visão, trabalhos desvinculados de um compromisso apaixonado pela desconstrução dos modelos aprendidos na infância, e que não estejam voltados à lenta e participativa reconstrução -- por parte de quem busca a mudança -- sobre alicerces totalmente novos.  Nessa linha de pensamento, o passado deixa de ser referência, o futuro é tela branca e o presente é um campo de exercício constante cujos parâmetros só podem ser equiparados à meditação, qualquer que seja a nossa descrição desse estado e dessa prática.

  Meu conhecimento de EMDR é recente.  Cursei o nível 1 com a Dra. Graciela Rodriguez em agosto/setembro de 1999, sendo que o nível 2 completei em novembro do mesmo ano em NY com a Dra. Francine Shapiro, criadora da abordagem.  Surgindo após as minhas formações descritas acima, o EMDR fez a sua entrada quase como um desdobramento natural de todo o trabalho de formação anterior, como uma técnica complementar, uma ferramenta capaz de utilizar-se do cabedal já existente ou acomodar-se a ele quando necessário.  Por sua vez, como abordagem que surge para lidar com os traumas da passagem para o terceiro milênio, o EMDR confirma para nós profissionais de saúde e, até muito particularmente para os de formação reichiana ou Neoreichiana, a necessidade permanente de estudo. O sistema EMDR possui um site na internet pelo qual somos convidados a expor dúvidas e compartilhar experiências. E já existe um número substancial de pesquisas realizadas -- e de outras tantas em andamento -- por psicoterapeutas de várias abordagens que, com suas publicações, acrescentam ao mesmo com reflexões e experiências que partem do embasamento teórico de cada um. Ao observar esse esforço sério de tantos profissionais, percebo que o EMDR carece de uma elaboração conceitual a partir de uma visão reichiana.  Esse fato, entretanto, em vez de empobrecê-lo abre todo um campo para essa leva de psicoterapeutas somáticos brasileiros que estão surgindo e demonstrando interesse em integrar o método às suas práticas.  Acho que, nesse sentido, existe uma abertura  importante para nós no Brasil. 

 Como disse acima, é muito cedo ainda para eu registrar resultados sólidos e bem documentados.  Compartilho, entretanto que, desde o término do nível 1, venho utilizando o EMDR em situações específicas com meus clientes podendo afirmar que tenho constatado movimentos novos e às vezes surpreendentes, no seu processo psicoterapêutico.

 Cito um caso em particular, no qual foi imprescindível o vínculo que já tínhamos desenvolvido. Trata-se de um processo de pouco mais de dois anos com um cliente ao qual, para efeitos desse breve relato, me referirei como Pedro. Funcionário público ocupando um cargo de alta responsabilidade, buscou a terapia pela primeira vez após seu 46º aniversário com queixas de ansiedade difusa, cansaço e insatisfação.  Durante os primeiros meses de trabalho ficou evidente que, desde cedo, Pedro havia inconscientemente renunciado à vida como projeto individual.

 Filho de pais separados, cresceu sob os cuidados de uma mãe permanentemente ocupada e ansiosa com as questões de sobrevivência dos dois, e vendo  o pai com certa regularidade mas sempre com a sensação de vazio após os encontros.  Na verdade, Pedro teve que se bastar muito cedo, já que nenhum carinho ou atenção recebia, apenas expectativas a respeito de seu desempenho.  Tais expectativas eram altas e contínuas sendo que tanto os resultados obtidos, quanto o esforço despendido passavam desapercebidos.  Levou a vida trabalhando e ajudando aos pais. Ao vir à psicoterapia pela primeira vez, não possuía em si a consciência de sentimentos como raiva, ressentimento e tristeza. Nem se dava conta de quão baixa era a sua auto-estima e do quanto se descuidava de sua saúde.  Comendo muito e sem critérios, fumando excessivamente, Pedro trabalhava além do normal.  Problemas respiratórios antigos ressurgiam manifestando-se em sensações de sufoco e crises de pânico, sintomas que não associava às suas experiências de vida. 

 Passamos pouco mais de dois anos abordando todas essas questões através de um trabalho somático.    Houve muitos progressos mas a sintomatologia respiratória, embora já tivesse sido abordada muitas vezes com algum resultado, necessitava de uma atenção maior.  Foi nesse momento que surgiu a oportunidade de introduzir o EMDR, fato que permitiu a emergência de questões nunca antes mencionadas.  Conseguimos assim um impacto direto sobre o sintoma somático associando-o a traumas derivados daquelas vivências secretas.  Embora isso tivesse suspendido efetivamente o sintoma é cedo para falarmos na sua resolução.  Estão emergindo fatos históricos -- alguns já mencionados anteriormente  porém agora sendo vistos sob outra luz -- e cada um precisa do seu tempo de elaboração.  Para isso considero de fundamental importância a vivência de um processo piscoterapêutico de médio a longo prazo, o conhecimento de diversas abordagens e uma experiência profissional tranqüila e madura.  Afinal, as abordagens com suas técnicas, sistemas e métodos se moldam formando uma escultura na figura do psicoterapeuta  e a partir de sua visão do mundo, pois sem essa retaguarda seriam conhecimentos vazios, sem ressonância, instrumentos de trabalho meramente artificiais.

 Para concluir, reafirmo a satisfação de ter entrado em contato com esse estilo de se abordar sintomas, traumas e questões pertinentes a essa virada de milênio; de estar conhecendo uma forma de atuação psicoterapêutica que valoriza os sentidos com que, como seres humanos, apreendemos o mundo ao nosso redor e que dá uma oportunidade ao nosso cérebro de recuperar experiências antigas desfazendo registros incapacitadores e sanando e restaurando áreas danificadas por experiências não processadas de forma adequada.  Penso em algum dia poder contribuir ao embasamento cognitivo e, em particular ao psicodinâmico, que sustentam essa importante ferramenta de trabalho, com a visão somática dos conceitos reichianos.

Artigos 

Momento planetário de transformações e o grupo Quiron - Energia e Cura, Editora Vozes, Petrópolis, 1990.
 

The Concept of Middle Ground in Stanley Keleman’s Formative Process/Somatic Therapy - Energy and Character - The Journal of Biosynthesis, Abbotsbury Publications, London, April 1992
 

A filosofia da mudança,  Revista Decidir, Now-Rio Marketing e Publicidade, Ano V, No. 45, Abril, 1998, Rio de Janeiro
 

A doença como caminho de cura - com Humbertho Oliveira, Maurício Tatar e Vania Didier, Revista Reichiana No. 6, 1997
 

Paradigmas novos em psicologia na virada do milênio – Os doentes graves e a psicoterapia somática – 4a. Jornada de Pesquisadores em Ciências Humanas, CFCH/UFRJ, 1997 – Homepage: http://www.cfch.ufrj.br/Jornadas/jor_pesq.html
 

Psicoterapia somática para doentes graves no Brasil - Uma reflexão sobre a mudança paradigmática nas relações de ajuda profissional – Revista Reichiana No.  8, SP, 1999/2000.
 
 

Palestras

Os sentidos da busca, durante o evento As Dimensões do Ser e a Transformação Interior - Perspectivas Psicoterápicas,  Espaço Néctar, 1995.

Psicoterapia somática para doentes graves - Encontro de Psicoterapia Somática - 100 anos de Wilhelm Reich, Universidade Santa Úrsula, 1997.

Paradigmas novos em psicologia na virada do milênio - 4a Jornada de Pesquisadores em Ciências Humanas, Centro de Filosofia e Ciências Humanas - UFRJ, 1997.

Dados Pessoais

Susana Hertelendy

Psicóloga – C.R.P. 05-3900

Psicoterapeuta corporal diplomada em Biossíntese

Non-US Full Member EMDR International Association  

 

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