|
|
Curriculo
DepoimentoParece-me significativo que eu esteja entrando em contato com a abordagem psicoterapêutica denominada EMDR -- sigla em inglês referindo-se ao que designamos por Dessensibilização e reprocessamento através de movimentos oculares -- nesse estágio da minha vida profissional. Como psicóloga, com 25 anos de formação na área e 20 anos de prática clínica, tenho buscado integrar conhecimentos adquiridos em Psicoterapia Centrada na Pessoa, em Gestalterapia, nas diversas abordagens somáticas Neoreichianas -- e, mais especificamente, na Biossíntese --, em hipnose e nos aproximadamente 13 anos de vivência pessoal na prática meditativa voltada ao exercício da circulação energética, designada em certos meios como healing. Algo nessa prática mencionada por último e que não é uma psicoterapia, me faz pensar no que percebo como fundamental num processo de busca de auto-conhecimento e de transformação. Para efeitos desse breve relato, a idéia central que relevo desse método de trabalho é que recurso externo algum produz efeito quando desvinculado de uma progressiva conscientização do que é “nosso,” do que pertence à área da nossa responsabilidade e “escolha,” para além da nossa história explicativa. Também não levam a lugar algum, na minha visão, trabalhos desvinculados de um compromisso apaixonado pela desconstrução dos modelos aprendidos na infância, e que não estejam voltados à lenta e participativa reconstrução -- por parte de quem busca a mudança -- sobre alicerces totalmente novos. Nessa linha de pensamento, o passado deixa de ser referência, o futuro é tela branca e o presente é um campo de exercício constante cujos parâmetros só podem ser equiparados à meditação, qualquer que seja a nossa descrição desse estado e dessa prática. Como disse acima, é muito cedo ainda para eu registrar resultados sólidos e bem documentados. Compartilho, entretanto que, desde o término do nível 1, venho utilizando o EMDR em situações específicas com meus clientes podendo afirmar que tenho constatado movimentos novos e às vezes surpreendentes, no seu processo psicoterapêutico. Cito um caso em particular, no qual foi imprescindível o vínculo que já tínhamos desenvolvido. Trata-se de um processo de pouco mais de dois anos com um cliente ao qual, para efeitos desse breve relato, me referirei como Pedro. Funcionário público ocupando um cargo de alta responsabilidade, buscou a terapia pela primeira vez após seu 46º aniversário com queixas de ansiedade difusa, cansaço e insatisfação. Durante os primeiros meses de trabalho ficou evidente que, desde cedo, Pedro havia inconscientemente renunciado à vida como projeto individual. Filho de pais separados, cresceu sob os cuidados de uma mãe permanentemente ocupada e ansiosa com as questões de sobrevivência dos dois, e vendo o pai com certa regularidade mas sempre com a sensação de vazio após os encontros. Na verdade, Pedro teve que se bastar muito cedo, já que nenhum carinho ou atenção recebia, apenas expectativas a respeito de seu desempenho. Tais expectativas eram altas e contínuas sendo que tanto os resultados obtidos, quanto o esforço despendido passavam desapercebidos. Levou a vida trabalhando e ajudando aos pais. Ao vir à psicoterapia pela primeira vez, não possuía em si a consciência de sentimentos como raiva, ressentimento e tristeza. Nem se dava conta de quão baixa era a sua auto-estima e do quanto se descuidava de sua saúde. Comendo muito e sem critérios, fumando excessivamente, Pedro trabalhava além do normal. Problemas respiratórios antigos ressurgiam manifestando-se em sensações de sufoco e crises de pânico, sintomas que não associava às suas experiências de vida. Passamos pouco mais de dois anos abordando todas essas questões através de um trabalho somático. Houve muitos progressos mas a sintomatologia respiratória, embora já tivesse sido abordada muitas vezes com algum resultado, necessitava de uma atenção maior. Foi nesse momento que surgiu a oportunidade de introduzir o EMDR, fato que permitiu a emergência de questões nunca antes mencionadas. Conseguimos assim um impacto direto sobre o sintoma somático associando-o a traumas derivados daquelas vivências secretas. Embora isso tivesse suspendido efetivamente o sintoma é cedo para falarmos na sua resolução. Estão emergindo fatos históricos -- alguns já mencionados anteriormente porém agora sendo vistos sob outra luz -- e cada um precisa do seu tempo de elaboração. Para isso considero de fundamental importância a vivência de um processo piscoterapêutico de médio a longo prazo, o conhecimento de diversas abordagens e uma experiência profissional tranqüila e madura. Afinal, as abordagens com suas técnicas, sistemas e métodos se moldam formando uma escultura na figura do psicoterapeuta e a partir de sua visão do mundo, pois sem essa retaguarda seriam conhecimentos vazios, sem ressonância, instrumentos de trabalho meramente artificiais. Para concluir, reafirmo a satisfação de ter entrado em contato com esse estilo de se abordar sintomas, traumas e questões pertinentes a essa virada de milênio; de estar conhecendo uma forma de atuação psicoterapêutica que valoriza os sentidos com que, como seres humanos, apreendemos o mundo ao nosso redor e que dá uma oportunidade ao nosso cérebro de recuperar experiências antigas desfazendo registros incapacitadores e sanando e restaurando áreas danificadas por experiências não processadas de forma adequada. Penso em algum dia poder contribuir ao embasamento cognitivo e, em particular ao psicodinâmico, que sustentam essa importante ferramenta de trabalho, com a visão somática dos conceitos reichianos. Artigos
Palestras
Dados PessoaisSusana
Hertelendy Psicóloga – C.R.P. 05-3900 Psicoterapeuta corporal diplomada em Biossíntese Non-US Full Member EMDR International Association
|
|
|