Psicanálise e biologia: uma discussão da pulsão
de morte em Freud e Reich
Sinopse
Trata-se de um ensaio teórico que aborda
a psicanálise de Sigmund Freud, as idéias de Wilhelm Reich e a biologia,
e cujo eixo é a teoria freudiana da pulsão de morte. O recurso à
biologia se legitima pelo fato desta ser um elemento essencial das concepções
de ambos os autores e pelo fato da teoria citada ter sido proposta por Freud como
algo pertinente à biologia.
Dois movimentos se interligam ao longo da nossa trajetória. Em um deles,
a pulsão de morte, nas visões de Freud e Reich, é o centro
da discussão, e o conhecimento biológico é o quadro de referência
que delimita o território em que o debate ocorre. Noutro, a pulsão
de morte serve quase como um pretexto para discutir a obra de Freud e Reich, numa
tentativa de atualizar suas formulações face ao avanço do
conhecimento biológico nas últimas décadas.
Quatro temas são abordados mais detalhadamente: a) as idéias de
Freud sobre a origem da vida; b) o princípio de prazer, ou seja, a tese
de que o sistema nervoso funciona procurando diminuir a excitação;
c) o conceito de pulsão frente às formulações da neurociência;
e d) a agressão: o que é, como funciona, para que serve, de acordo
com a biologia atual.
Fica claro que existem muitos elementos valiosos nas concepções
freudianas e reichianas. Foram autores à frente de seu tempo, que elaboraram
idéias inovadoras e que muitas vezes só agora podemos valorizar
adequadamente. Por outro lado, o avanço do conhecimento faz com que muitos
elementos que são parte do arcabouço teórico de cada um sejam
questionados, em diversos níveis.
Especificamente em relação ao tema desta tese, os dados examinados
levaram ao questionamento da pulsão de morte como uma característica
de todos os seres vivos e como algo relacionado à origem da vida. Quanto
à teoria da agressão, o que a biologia propõe parece ser
algo diferente de um impulso apetitivo (como a fome e o sexo), auto-impelente
e originado da deflexão para fora de uma tendência autodestrutiva.
Julgamos que mais estudos são necessários sobre este assunto, e
propomos que o presente enfoque (estudar as divergências entre Freud e Reich
recorrendo à biologia) seja estendido a temas como o orgasmo, a angústia
e outros.