O alojamento da psiquêe no soma, segundo Winnicott

Sinopse

Minha dissertação teve o propósito de analisar um caso clínico de falha no alojamento da psiquê no soma - fenômeno que considero dos mais presentes na prática psicoterápica -, sob a luz da teoria de D. W. Winnicott. Levantei aspectos epistemológicos inerentes à obra de Winnicott, a partir do pressuposto de que esse autor Inglês operou aquilo a que Thomas S. Kuhn denomina de “revolução científica” (Kuhn, 2000, p. 125), ao abandonar o paradigma do Complexo de Édipo da psicanálise tradicional, e criar, com sua teoria do amadurecimento pessoal, o que Loparic chama de “paradigma do bebê no colo da mãe” (Loparic,1997, p. 375). Exemplifiquei essa premissa, fazendo um cotejo entre os paradigmas freudiano e winnicottiano.
Ainda nessa perspectiva epistemológica, expus minha afirmativa de que Winnicott operou uma mudança de olhar na Psicanálise, analisando seu caso Piggle (Winnicott, 1987).
Abordei, também, algumas questões da natureza e da animalidade humanas na obra winnicottiana.
Realizei uma apresentação da teoria do amadurecimento como um todo, e de seus distintos estágios, com destaque para os estágios iniciais do processo de amadurecimento pessoal, procurando mostrar a origem dos distúrbios relativos ao fracasso do alojamento da psiquê no soma e seus desdobramentos patológicos, tais como a “cisão split-off intellectt” e a formação do “falso si-mesmo”.
Relatei o caso clínico de um de meus pacientes, que contém muitos exemplos de distúrbios ocorridos nos estágios iniciais do processo de amadurecimento pessoal.
Por fim, articulei a teoria de Winnicott com o caso clínico. Nessa articulação, avaliei e, na medida do possível, comprovei a adequação, atualidade e aplicabilidade clínicas da teoria winnicottiana, na esperança de demonstrar minha tese de que a teoria de Winnicott é mais adequada e eficaz do que a teoria neo-reichiana para compreender e lidar com os fenômenos clínicos da desintegração entre o eu e o corpo.