Sistêmica Organísmica versus Isomorfismo Mente-Cérebro.
Sinopse
Este estudo abarca três linhas temáticas interdependentes:
Teórico -Clínica. A partir do exame da Desordem do Pânico,
são descritos os modelos explicativos neurofisiológico e psicanalítico,
e analisadas as suas contribuições ;suas diferenças, limitações
e insuficiências. O fenômeno do “apego”( attachment),
e o reflexo de Moro; a neurose de angústia e a noção de
capacidade orgástica , revelam uma lógica onde o convulsivo integra
o psicológico, o fisiológico, o biológico e o energético.
Demonstramos como a abordagem reichiana, ao tomar o fator quantitativo na sua
literalidade, e utilizando uma concepção da identidade funcional
“mente-corpo”, situa-se numa perspectiva dialógica e sistêmica
própria.
Histórica. Fazemos uma apresentação dos trabalhos de Mesmer,
Reichembach e Reich, que embora não sendo contemporâneos, descrevem
todos o lugar central que tem as “crises” convulsivas no tratamento
de moléstias de tipos variados. Examinamos os preconceitos acadêmicos
e científicos que levaram e levam à rejeição dos
mesmos.
Epistemológica. A utilização da abordagem caractéro-analítica/orgonômica
resulta na possibilidade de cura da condição do pânico,
ao contrário do que supõe o modelo médico. Revela-se a
falácia do equacionamento entre “mente” e cérebro,
fruto da capacidade colonizadora do modelo médico-fisicalista, este ,
por sua vez, mera extensão da metafísica materialista-mecanicista.
O inconsciente freudiano, que na ótica reichiana estende-se ao corporal,
e o corpo, compreendido como não apenas maquinaria biológica,
remetem a um campo conceitual com características sistêmicas, globais,
generalizadoras, permitindo situar o psiquismo e as nuances da vida emocional
numa perspectiva muito mais rica em possibilidades, tanto clínica quanto
epistemologicamente.