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O R G O N i zando |
Psicoterapia Corporal
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Monitorando os seu olhos
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| introdução | fatores estressantes | recomendações | bibliografia |
Os olhos são a janela do espírito. É através deles que se percebe a vitalidade do ser humano, eles são um termômetro de nossa qualidade de vida. Olhos expressivos dizem mais que nossas pobres palavras podem sonhar em comunicar.
Com a disseminação da informática, passamos cada vez mais tempo frente ao computador usando os nossos olhos de uma forma muito limitada, e sob condições para as quais eles não foram preparados em eras de evolução biológica. É uma situação que gera tipos específicos de estresse, que podemos aprender a gerenciar para manter uma boa qualidade de vida.
Há vários fatores estressantes no trabalho extensivo com o monitor de vídeo:
A atenção constante
Podem ser horas a fio usando apenas o tipo de olhar centrado. Para podermos
concentrar a atenção na tela, focamos a nossa atenção
nos estímulos que provém da fóvea, a paste mais detalhada
da retina, e precisamos usar mecanismos dissociativos da mente para ignorar
toda a estimulação lateral que vem dos olhos. Um mecanismo
muito útil à sobrevivência, mas ao nos limitarmos
a ele corremos o risco de nos bitolarmos, de perdermos a capacidade de
apreender e integrar o contexto, de tratar todos os sistemas como e fossem
sistemas fechados, isolados de seu meio ambiente. Como coloca Claude Bastien
em relação a evolução das espécies,
"a evolução cognitiva não vai no sentido
de conhecimentos cada vez mais abstratos, e sim, ao contrário,
no sentido da sua colocação em contexto". O grande
desafio que se coloca para a humanidade nessa virada de século
não é mais o domínio da técnica, o controle
do objeto, mas o da sua integração no contexto.
A fixação do olhar
O olho humano é dotado de um complexo sistema de músculos
que, amplificado pelos movimentos do pescoço, nos permite olhar
em praticamente todas as direções. O movimento ocular é
uma atividade que facilita a comunicação dos dois hemisférios
cerebrais permitindo a integração das experiências
vividas. Pessoas que podem dormir, mas são impedidas de entrar
no estágio de sono REM, onde ocorre o movimento dos olhos, tendem
rapidamente a um desequilíbrio emocional.
Ao passar de quadrúpede a bípede, o foco da interação
com o meio ambiente se deslocou no hominídeo, do olfato para a
visão, inclusive em relação à sexualidade
(os genitais saíram do nível das narinas e se expuseram
ao olhar mais distante). Não é à toa que nossos olhos
se derretem ao nos apaixonarmos, eles fazem parte da dinâmica interativa
do homo sapiens, estabelecendo a distância ou convidando à
proximidade. Mas, ao contrário do olfato, o olhar é direcional,
e precisa de uma musculatura ágil para rapidamente voltar-se ao
essencial. Olhos sedentários, fixados numa única direção,
não só perdem a agilidade, como a própria amplitude
do movimento se torna muito mais reduzida.
A convergência dos olhos
Nossos olhos têm a capacidade de funcionar em estéreo, com
a mente avaliando as distâncias conforme as pequenas diferenças
entre eles. Podem convergir desde a ponta do nariz, até o horizonte;
ou ainda divergir, olhando o vazio. O olhar para perto ativa a parte do
sistema límbico capaz de se perceber emocionalmente, o poder se
ver. O olhar para longe ativa o reconhecimento do outro, o não-si.
É nessa alternância de distâncias que é construída
a nossa capacidade de discriminação e a própria formação
do eu. Ao trabalharmos num computador frente ao par monitor/teclado estamos
usando apenas duas distâncias similares de convergência. Uma
longa permanência ininterrupta nessa situação tende
a levar a uma perda da discriminação de si como sujeito
e da máquina como objeto.
As pessoas com vista cansada, só conseguem uma boa nitidez a uma
determinada distância, têm uma tendência a usar uma
flexão do pescoço para um ajuste fino dessa distância,
estressando a musculatura cervical. Se você tiver vista cansada,
procure um oculista e faça uns óculos específicos
para trabalhar à distância de 60cm, isso trará algum
alívio para seu pescoço. Use fontes grandes para facilitar
a leitura.
A radiação dos monitores
Esse problema ocorre nos monitores de raios catódicos (CRT), não
sendo tão relevante nos de cristal líquido. A radiação
eletromagnética tem um efeito desorganizador (entrópico)
nas sutis dinâmicas dos nossos processos fisiológicos; a
disponibilidade energética se reduz, havendo uma maior tendência
da energia em nossa fisiologia em assumir estados de ligação
mais fixos, diminuindo a vitalidade do organismo, principalmente a dos
olhos. Este é um efeito que vai contribuir para enferrujar
toda a musculatura ocular a que nos referimos. Mesmo os monitores que
se enquadram em padrões de segurança de radiação
para monitores (como o MPR-II), ainda provocam uma baixa na vitalidade
ocular bastante significativa.
Se
você perceber os olhos tensos ou doloridos, pare. Lave os olhos
com água abundante e faça exercícios alternados
de movimentação dos olhos (laterais, verticais, de convergência,
girando os olhos, piscando). Busque outras atividades que você
precisa fazer que não dependam do computador, até você
sentir os olhos mais relaxados. Se for possível, deite com duas
rodelas de pepino sobre os olhos.A fluência de toda a musculatura ocular, interna e externa, é
um pré-requisito primordial para a manutenção da
disponibilidade da energia do organismo, ou seja da sua vitalidade. Cuide
bem dela,
e ela irá influenciar positivamente a sua percepção
de mundo, sua afetividade e sua sexualidade.
José Guilherme Oliveira é analista de sistemas e psicoterapeuta corporal reichiano com especialização em EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares).
BOURGIGNON, Andre - História Natural do Homem - 1. O Homem Imprevisto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.
MORIN, Edgar; KERN, Anne-Brigitte - (1993) Terra-Pátria. Porto Alegre: Sulina, 1995.
NAVARRO, Federico. Metodologia da vegetoterapia caractero-analítica.
OLIVEIRA, José Guilherme C. - Ser e não ser: a dinâmica do universo. Rio de Janeiro: Papel Virtual, 2000.
REICH, Wilhelm - (1928-1949) A Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
RODRIGUES, H. J. L. F.; OLIVEIRA, J. G. C. (orgs.) - Saber em movimento: tecendo a rede das psicoterapias corporais. Rio de Janeiro: 1999.
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