| Produzido por José Guilherme Oliveira |
Para compreensão da orgonoterapia
com crianças, é fundamental conhecer : o objetivo, as características
necessárias ao orgonoterapeuta, e os procedimentos técnicos
utilizados com os pais e a criança.
O objetivo consiste em preservar a expressão natural do movimento energético da criança e restabelecer a espontaneidade emocional perdida devido às inibições do meio social. Essa concepção cumpre uma função preventiva, já que a infância é uma etapa do desenvolvimento, onde os impulsos instintivos podem ser impedidos de serem expressos. Isso, promove o encouraçamento desde a mais tenra idade, se incorporando ao EU biológico havendo uma diminuição da carga energética dos impulsos e redução da capacidade vibrante de viver, estruturando assim o caráter de forma neurótica.
Ao orgonoterapeuta, são necessárias as seguintes características:
Conhecer o funcionamento energético
do ser humano, e sua manifestação emocional de
acordo com a etapa do desenvolvimento da criança, segundo a orgonomia;
ser afetuoso e capaz de buscar uma
linguagem comum que propicie o estabelecimento da relação
transferencial. Para isso, o brincar é um método fundamental.
Sendo assim, é necessário que o orgonoterapeuta apresente
mobilidade caracterial e capacidade de contato corporal
para acompanhar a movimentação energética da
criança durante a brincadeira.
O orgonoterapeuta que está
livre para ser brincalhão, facilita
o brincar da criança. É importante
estar sensível a perceber as emoções bloqueadas
no corpo da criança, o momento e a forma adequada
de tocá-las, utilizando, às vezes, o próprio
corpo para expressá-las. Essa conjunção entre a sensibilidade
de perceber e tocar, com a criatividade
do orgonoterapeuta, determina a escolha da brincadeira
no trabalho terapêutico.
Com relação aos procedimentos técnicos, inicialmente é fundamental delimitar para os pais o papel de orgonoterapeuta da criança, das seguintes maneiras: É importante cuidar para não interpretar os pais, pois isso dilui a relação transferencial da criança e estimula a transferência dos pais com o orgonoterapeuta, produzindo rivalidade entre pais e filho, já que esse último é que recebe o tratamento. A essa rivalidade, soma-se um sentimento em relação ao orgonoterapeuta, como se ele roubasse o afeto de seu filho, e ainda emenda o que eles , pais, tenham feito de "mal" ou "errado". Por isso, a importância de não interpretá-los.
Outro aspecto fundamental é evitar o aconselhamento aos pais para que o orgonoterapeuta não ocupe o lugar de figura persecutória que os orienta a mudar uma situação real impossível de ser transformada sem a elaboração psicológica de suas atitudes envolvidas, fazendo com que se sintam incapazes. Todos esses fatores citados acima, somado à culpa que vivem devido ao sintoma apresentado pelo filho, podem ser canalizados ao tratamento da criança sob forma de agressão, dificultando-o e/ou provocando sua interrupção. Somente a partir da transformação da própria criança, é que essa requisitará mudança no comportamento dos pais. Aí, é o momento de conversar com eles, caso apresentem dificuldade e/ou resistência à demanda do filho. Nesse caso, pode-se conscientizá-los das atitudes em questão e investigar com eles suas possibilidades de suprir as necessidades da criança. Por exemplo, quando a criança precisa ser tocada para aliviar tensões agudas, em momentos que não há acesso ao psicoterapeuta, é importante que os pais já tenham recebido do orgonoterapeuta noções sobre como tocá-la. Enfim, mas a contribuição fundamental dos pais ao tratamento do filho, é levá-lo às sessões. Isso deve ser demarcado e ressaltado para eles, como a principal ajuda ao tratamento do filho. Assim, cada um ocupa seu respectivo lugar, e alivia-se a culpa dos pais diante das dificuldades do filho.
Em se tratando da criança, os procedimentos técnicos são os seguintes:
O tratamento orgonoterapêutico com a criança consiste primordialmente, em descobrir o meio de comunicação com ela. Nesse caminhar, é que se apresenta o brincar. Onde a criança expõe sua realidade subjetiva, criando situações imaginárias a partir dos objetos da realidade externa.
Na orgonoterapia, o orgonoterapeuta é o mediador desse interjogo entre a vida psíquica e a relação com os objetos reais. Ocupando, por vezes, o lugar desse objeto no qual a criança projeta seus medos e angústias. Assim se trabalha na relação transferencial estabelecida através do brincar, onde o brinquedo só é introduzido enquanto demanda dessa relação. Desse modo, o orgonoterapeuta precisa se colocar receptivo e livre para se entregar às brincadeiras. Sendo inadequado organizá-las, pois isso previne o aspecto do descobrimento que há no brincar, já que é importante que a criança surpreenda a si mesma. E essa organização da brincadeira, cria um estado de submissão para a criança retirando o sentido criativo e espontâneo inerente ao brincar.
Esse aspecto da espontaneidade de expressão emocional pode ser trabalhado através da imitação. Por exemplo, quando a criança expressa medo através de seus olhos assustados, imita-se essa expressão junto com gritos, brincando de dar susto no pique-esconde. Gradativamente ela vai tomando contato com o medo e os motivos do mesmo. Desbloqueia-se o segmento ocular e recupera-se a capacidade natural de expressar, o que exige do orgonoterapeuta habilidade no contato com a criança, e criatividade em adaptar o objetivo terapêutico à brincadeira, de acordo com a etapa do desenvolvimento da criança.
Ao trabalhar a transferência negativa , pode-se por exemplo: brincar de imitar um cachorro e propor que morda uma toalhinha; brincar de fazer caretas ou jogar almofadas. Mostrando como manifesta e se defende de exprimir a raiva, conectando com seus motivos. Mas, sempre focando inicialmente, as expressões de raiva que se apresentam na superfície da conduta da criança. Fazendo-a perceber, desse modo , que o desprezo e o sadismo, são mais comuns de serem demonstrados na vida social do que a agressividade natural. Essa diferenciação deve ser clarificada para a criança, ajudando-a restabelecer a capacidade agressiva enquanto defesa biológica, e também esclarecendo sobre as possíveis dificuldades da agressividade ser aceita socialmente. Dessa maneira, previne-se, também, a reincidência do encouraçamento. Tendo essa clarificação, o papel de prevenir a neurose e promover a saúde. Aspecto característico da orgonoterapia com criança.
A massagem reichiana também pode
ser utilizada de forma lúdica. Brincando por exemplo, de fazer "massa
de pizza". Funciona como carícias, para crianças que
apresentam medo de serem tocadas, desfazendo tensões e possibilitando
o contato afetivo. O toque através da brincadeira
de fazer cócegas, também desencouraça,
pois desorganiza o controle das emoções,
provoca risos, afrouxando os segmentos oral e diafragmático.
As intervenções seguem a
direção das emoções
desde a superfície do encouraçamento
a níveis mais profundos. Analisando as formas de expressão
neurótica. Seja através de jogos, desenhos
ou de contos de fada criados
juntos à imaginação da criança.
Por exemplo: se ela traz uma boneca para
a sessão e mostra as posições
em que é capaz de colocá-la, como forma
de retratar que se sente manipulada, pode-se inventar uma estorinha, onde
fale do sofrimento das crianças que são
tratadas como se fossem bonecas, sem sentimento e vontade própria.
Essa abordagem estimula a criança a perceber seus sentimentos, e
ilicia sua manifestação.
A medida que se transpõem as defesas, amplia-se
a capacidade de expressão e de sensações de
prazer, que são promovidas pelo interjogo
do aprender a vivenciá-lo durante
as sessões, e experimentá-lo em
outros espaços e relações de seu mundo. E quando
os pais não suportam a expansão emocional da
criança, é importante esclarecer
para ela ( a criança ), que isso não
a torna incapaz de expressar-se. Esse
retorno sobre sua possibilidade, a fortalece,
tornando-a confiante em seus próprios sentimentos para lidar com
as situações da vida.