| Produzido por José Guilherme Oliveira |

Baseado
em palestra de David
Boadella feita durante o 12º Congresso Mundial de Medicina Psicossomática
Universidade da Basiléia, setembro 1993, traduzida por Karin Sachs e
adaptada por Rubens Kignel para o Congresso Comemorativo
de Wilhelm Reich em São Paulo, 1997.
Algumas terapias somáticas, como Rolfing, tentam mudar o corpo esticando-o em um novo formato. O terapeuta trabalha de fora, re-esculpindo a anatomia em linha com sua visão do corpo ideal, alinhado com a gravidade, em um estado de desbalanceamento mínimo. Ginástica e curso de modelação dos músculos oferecem séries de exercícios pelos quais a pessoa pode procurar forçar seu corpo para atingir uma aparência que expresse melhor a maneira de como ela quer que ele seja. No ballet clássico, o dançarino pode aprender a estressar seu corpo em posições exigidas pelo coreógrafo: seu fluxo de movimento é restrito aos requeridos no roteiro da dança.
Alguns padrões de trabalho ou esporte deformam o corpo quando repetidos por um período de anos: por ex. o cotovelo congelado do tenista e no joelho da dona de casa, a cãibra nos dedos de um escritor ou a figura curvada de um fazendeiro de arroz . Forma-se então uma anatomia emocional em resposta aos diferentes insultos à forma, ou os roteiros de formação do caráter: mantenha-se ereto, seja homem, dê o melhor de si, não chore , não adianta, desista, desamparo traz simpatia, se você se mostrar fraco de joelhos, ninguém irá derrubá-lo.
Em contraste a estes movimentos e posturas dirigidos pelo mundo exterior, existe uma relação um tanto diferente a ser formada quando o movimento flui a partir do desejo interno. Estes movimentos estão associados à espontaneidade, brincadeira, improvisação, criatividade, dança não coreografada ou a graciosidade do esportista ou atleta que esteja perfeitamente sintonizado tanto com seu corpo quanto com o desafio externo. Está presente no ritmo do trabalho prazeroso, onde a compulsão ao aborrecimento com o trabalho rotineiro não forçou o corpo a um formato restrito.
Dois impulsos nervosos padronizam nossos movimentos: o primeiro deles origina-se no córtex cerebral dirigindo-se para baixo, sendo conhecido como nervo alfa, que fornece sinais diretos aos músculos voluntários para agir. Podemos falar do sistema alfa como sendo o sistema de ação.
O segundo impulso nervoso origina-se na base do cérebro dirige-se para baixo e é conhecido como nervo gama: através das fibras celulares ele dá sinais ao músculo para que se coloque no tônus apropriado: podemos chamar este segundo sistema de sistema de prontidão. O sistema de prontidão está intimamente relacionado ao humor e à intenção.
Sem nos comprometermos com a ação voluntária, a nossa postura pode se comunicar com nossa atitude interna e sentimento sobre uma situação. Podemos separar a atitude da tendência do movimento. Na atitude vemos uma forma um tanto imóvel, que reflete um movimento inibido. Os ombros são mantidos elevados, a pélvis retraída é mantida para trás, impossibilitada de balançar. A cabeça empinada para um lado pode eternamente evitar um golpe.
Por outro lado, na tendência do movimento, podemos ver o início de uma ação padronizada: os ombros sugerem uma insinuação de “dar de ombros”, a pélvis começa a flertar, a cabeça move-se para frente como um orador prestes a abrir a boca e anunciar sua presença para um grupo de pessoas.
O movimento condicionado sobrepõe-se ao movimento involuntário, expontâneo, da mesma forma que a mente consciente sobrepõe-se à inconsciente.
Trabalhar com impulsos de movimentos e permitindo mudanças expontâneas de forma é, consequentemente, uma maneira de contatar o inconsciente sem usar as palavras como um primeiro instrumento.
Na Biossíntese o terapeuta está interessado em seguir e a apoiar os movimentos expontâneos, a induzir e permitir uma parte do corpo a seguir uma certa direção, para onde é convidado, não exigido, a seguir. Assim, o terapeuta procura falar e escutar o seu estado de prontidão, tom gama do músculo. Ele procura fazer contato com a alma do músculo. A alma do músculo está relacionada anatomicamente ao feixe muscular, o qual determina seu estado de tônus interno. O feixe recebe fibras do sistema nervoso vegetativo, que regula o fluxo das energias emocionais no corpo. Assim sendo, o feixe muscular anatomicamente, reflete diretamente o humor de uma pessoa.
Ao tentar formular os modelos de fluxo da forma experienciados no trabalho postural somático da Biossíntese, desenvolvemos o conceito de campos motores, os quais são descritos abaixo. O conceito é elaborado sobre antigos conceitos de campos de tônus e campos de ação, desenvolvidos a partir de pesquisas no esquema corporal e no conceito de esquemas senso-motores de Piaget. Campos Motores ou esquemas afeto-motores. O embriologista alemão Erich Blechschmidt desenvolveu o conceito de campos embrio-dinâmicos para descrever os diferentes campos de força que agem no tecido embrionário quando o corpo está se formando durante a morfogênese.
Blechschmidt descreveu 8 destes tipos de campos de força. No processo de desenvolvimento os principais campos motores, sozinhos ou combinados, estão envolvidos em todos os passos do desenvolvimento, do livre boiar dentro do útero, através do nascimento e amamentação, ao engatinhar, ficar de pé, pegar coisas e todas as habilidades posteriores.
Por formação, eu [neste texto, "eu" refere-se ao Boadella] quero dizer que, os mesmos campos motores são necessários para rebalancear nosso tônus muscular sempre que estivermos emocionalmente estressados: o corpo tem profunda sabedoria interna, sabendo como desfazer suas tensões. Moshe Feldenkreis, o qual foi fortemente influenciado pelo professor de movimento inglês, Mathias Alexander, chamou seu método de “integração funcional”. Embora ele tenha trabalhado originalmente sem acessar emoções profundas, algumas das maneiras do praticante de Feldenkreis induzir o movimento têm uma semelhança ao modo de trabalhar de um terapeuta na Biossíntese.
Feldenkreis influenciou Stanley
Keleman fortemente, devido em seus ensinamentos sobre a sutileza de
ler e interpretar os leves gestos e impulsos do sistema de prontidão
no músculo.
Oito dos campos motores são emparelhados em quatro grupos de
dois. O nono campo motor não é agrupado por razões
que serão esclarecidas mais tarde. Ao descrever cada campo eu tentarei
dar uma idéia de sua importância e desenvolvimento sinergético,
sua relação com a expressão emocional, sua ênfase
excessiva ou insuficiente em certos tipos de condicionamento de caráter
e sua eficácia no trabalho de terapia.
O
feto no útero movimenta-se gradativamente em um campo de flexão
de todo o corpo nos últimos estágios da gravidez. A posição
fetal ressoa em estados de regressão e representa um desejo de retirar-se
do mundo para um estado de maior segurança, tipo a do útero.
Muitos adultos usam-na como posição preferida durante o sono.
Os campos de flexão nas pernas podem representar uma defesa protecionista do abdômen. O campo de flexão da mão é bem conhecido no reflexo de agarrar da criança, o qual é forte o bastante para agüentar todo logo após o nascimento. O campo de flexão dos braços é uma posição autonutritiva, onde a criança aninha-se a si mesma ou em um brinquedo preferido em períodos de solidão ou insegurança.
Na expressão emocional a pessoa pode flexionar-se em uma posição de aconchego, como se estivesse abraçando a si própria, em épocas de frio ou quando ela precisa recuperar suas energias ao invés de dispendê-las.
Stanley Keleman
chama isto de posição de “auto-recuperação”.
Ela pode também ter uma função de auto-preservação
ou auto-proteção, como na posição de queda
no judô.
Em situações de forte medo, as pernas podem flexionar-se
junto ao peito, os braços esticados sobre o peito e a parede da
barriga firmemente contraída em direção às
costas, à espinha. Eu chamo isto de reflexo de medo fetal, já
que, a primeira vez que isto ocorre parece-se com a flexão do feto,
consciente das mensagens negativas viajando através do cordão
umbilical.
A flexão da cabeça sobre o peito é, por um lado, a posição do Pensador de Rodin, por outro lado, é freqüentemente encontrado em pessoas em estado de desespero ou depressão.
Quando uma pessoa é caracteriologicamente identificada com depressão
ou desespero ou com forte medo de ansiedade, este campo motor freqüentemente
ocorre. Neste caso o uso do campo pelo terapeuta intensificará
a tendência do caráter e, portanto, pode ajudar a torná-lo
consciente. Pode também ajudar a aliviar a pessoa do esforço
em sua própria tendência flexiva, se o terapeuta “assumir
o esforço” por ele. No entanto, quando a pessoa está
negando o medo ou preparado contra o colapso ou recusando-se a mostrar
carência, ele pode ser predominantemente evitado, o campo de flexão
será contrário à tendência do caráter.
Ele será freqüentemente a negação da carência
que está por baixo da atitude expressa pela postura. Induzindo a
atitude flexiva pode ser um meio para extrair o medo escondido ou desmoronar.
Na
extensão o corpo move-se em sentido oposto à flexão.
A espinha curva-se para trás, as pernas alongam-se, os braços
ampliam-se e ficam mais afastados do corpo, a cabeça eleva-se, distante
do peito.
Após nove meses no útero, o nascimento é em si a primeira grande extensão.
Alguns médicos ou enfermeiras têm o hábito de segurar o bebê recém-nascido pelos tornozelos, pendurado para baixo, um campo de extensão severo imposto por quem auxiliou o parto.
Os primeiros movimentos de caminhar ocorrem antes que a criança esteja forte o suficiente para ficar de pé. As pernas apenas se esticam em todo seu comprimento, praticando os movimentos que serão usados mais tarde para locomoção. Chutar é uma forma de extensão,ou a criança se move com seus braços no espaço para explorar que tipo de mundo existe fora do útero.
Terapeutas
trabalhando com clientes que estão sob enorme pressão emocional,
mas que resistem ceder a uma expressão de raiva, por exemplo,
podem estender a espinha de tal maneira que ela toma a posição
conhecida clinicamente como “opistotônus”. Os pré Freudianos,
nos dias de Charcot, observaram sua ocorrência em manifestações
histéricas. O corpo está apoiado apenas na cabeça
e nos tornozelos. É uma forma extrema de apoio, mas também
repete o arco extensor do parto. A respiração pode
estar também significativamente presa.
Se a respiração é liberada e o corpo permitido a mover-se nesta posição, torna-se uma poderosa maneira de expressar sentimentos extremamente poderosos de raiva ou distress. Alexander Lowen desenvolveu o uso da forte extensão tolerada em seu trabalho de Bioenergética, mas estamos falando aqui do arqueamento natural da espinha como um modo de expressar sua mobilidade e elasticidade.
Podemos distinguir 3 expressões diferentes para os campos motores dos braços:
Uma mulher lidando com medo e raiva muito cedo desde o primeiro ano
de sua vida, desenvolveu uma expressão de caráter que ela
e os outros reconhecem como de uma “madona”: quieta, gentil, compreensiva
e racional. Mas ela viveu alguma dificuldade de sentir-se em casa com seu
corpo, com os fortes sentimentos reprimidos desde a primeira infância.
Em uma sessão terapêutica particular, ela começou a
esticar-se muito fortemente em direção à frente, mas
com isto veio um poderoso sentimento destrutivo contra a sua mãe.
Os impulsos de raiva eram também muito assustadores para ela e houve
um forte movimento de flexão na espinha na tentativa de retê-los
e negá-los. Eu sabia que ela estava pronta para encarar e recuperar
o poder de sua raiva inicial, o que era a chave para recuperar uma vitalidade
total e sentir-se mais firmada com seu corpo. Portanto eu apoiei-a na extensão
e a força total de sua raiva pode vir à tona. Não
é necessário dizer que isto era uma expressão segura
e integrada ao ego, que ocorreu quando madura, e no contexto do desenvolvimento
terapêutico em andamento e não tinha nada a ver com representar.
O
campo de tração é encontrado principalmente nos braços.
O reflexo de agarrar evolui em tração quando a criança
aprende a levantar objetos contra a gravidade e a puxar-se para cima tentando
levantar ao agarrar uma cadeira ou uma mesa.
Também ao prender-se a um objeto amado que alguém queira tirar-lhe da mão. O jogo de cabo de guerra é puro campo de tração.
Podemos distinguir o campo de tração passivo e ativo. Na forma passiva a pessoa segura-se com as mãos contra o puxão do outro. Ela é alongada pelo puxão do outro. A tração então combina-se com extensão. Ou ela puxa ativamente o outro em direção a si contra a resistência: a tração então combina-se com a flexão.
O sentimento emocional do tracionar ativo é: eu quero você, dê isto para mim.
Agarrar,
segurar firme e manter alguém àquilo que lhe pertence, são
temas-chave. Para uma pessoa que é gananciosa e manipuladora em
sua orientação básica em relação ao
mundo, o campo de tração está no caráter. Mas
para a pessoa cuja necessidade de segurar-se não é desenvolvida
ou é negada, é importante desenvolver contato com a necessidade
de puxar.
Quando o campo de tração é utilizado terapeuticamente, ele tem uma série de efeitos: é particularmente importante em situações de desamparo e colapso, onde a pessoa perdeu o contato com o poder de suas costas como um eixo de suporte para a satisfação das necessidades básicas. Alguma vezes ele pode ser usado de pé, entre duas pessoas unindo suas mãos e apoiando-se de costas.
Em outros, a experiência do campo de tração nos
braços feita deitada, reativa sentimentos de ansiedade e permite
a satisfação motora de segurar e ser segurado. Um homem em
uma terapia de grupo definiu uma vez a ansiedade como “tristeza sem braços”.
O primeiro campo de oposição é associado com a cabeça do feto à medida que ele empurra-a contra a base da pélvis, golpeando-a.

Quando
os movimentos de extensão das pernas contatam a superfície
resistente do chão, o bebê empurra-as contra a gravidade de
maneira a ficar de pé. Antes disto, deitado de bruços, suas
mãos empurram o chão para longe de maneira a segurar a cabeça
à medida que explora o mundo nesta posição antes que
comece a gatinhar.
O campo de oposição, como sugere o nome, tem a ver com o direito de dizer não e de traçar limites. Ele subentende o direito de defender o espaço pessoal de cada um e manter intrusos e invasores afastados.
Para o tipo de pessoa psicopata raivosa a qual teme manipulação a cada momento, esta qualidade de empurrar para longe, é altamente desenvolvida. Cada toque pode parecer uma invasão que necessita ser abruptamente expelida. Mas para pessoas que aprenderam a largar mão de seus limites e cederem à invasão sem protestar, é essencial praticar e desenvolver o campo de oposição. Isto inclui pessoas inundadas por ansiedade assim como pessoas que foram sufocadas por mães super protetoras quando crianças.
Devido ao que chamamos de contato terra ser muito forte neste campo,
é particularmente de grande auxílio ao trabalhar com psicóticos
ou pessoas no limite, onde estes são frágeis e necessitam
de fortalecimento. São necessários especialmente padrões
de coordenação com a respiração, os quais serão
descritos mais tarde no nono campo motor.
Movimentos rotatórios exploram os espaços para os lados
do eixo corporal principal. Crianças gostam de girar e rodopiar.
O toureiro demonstra a habilidade de rotação ao evitar o
touro. Os praticantes de aikidô fazem do fluxo do movimento rotatório
espiral o ponto central de sua arte, assim como na capoeira.
Enquanto
que o campo de rotação sai da linha central do corpo ou de
um membro, o campo de canalização é altamente linear
e focado. As ações fluem para fora diretamente do centro
do corpo como aros de uma roda. A criança aprende a dirigir seus
movimentos, a olhar diretamente para você, a apontar em direção
a um brinquedo ou comida que deseja. O campo de canalização
está relacionado com objetivo, sua qualidade emocional é
determinada e séria, comprometida e orientada a uma finalidade.
O terapeuta encoraja o cliente a explorar movimentos direcionados que
são incisivos e altamente focados. Isto pode ser tão sutil
como pedir por contato visual direto, ao invés de um fitar desviado
ou tão total como o comprometimento acondicionado por trás
de um golpe de karatê.
Locomoção
é viajar. Normalmente envolve movimentos ativos dos braços
e das pernas como ao caminhar, nadar, correr e saltar. A ativação
prepara a pessoa para mover-se a algum lugar com relativa rapidez.
O feto pratica movimentos de natação já dentro do útero e pode nadar já antes de que ele ou ela possa gatinhar ou manter-se de pé. Uma vez que a criança tenha dominado a arte de gatinhar, ela se torna intensamente ativa. Antes disto ela ensaia padrões de atividade no chutar rápido das pernas e bater dos braços.
No campo de ativação, a vitalização é o tema-chave . As vidas de algumas pessoas são intensamente hiper ativas: o descanso é tortura para elas. Para este tipo de pessoas a ativação está no caráter: elas estão sempre a caminho e não sabem quando parar.
Pessoas com tendências mais depressivas sentam-se inertes por horas e não conseguem iniciar nada. Seu metabolismo está baixo, velocidade é um atributo alienígena. Para estas pessoas, mobilizar o campo de ativação pode ser a chave para soltar-se do domínio de uma depressão.
Outro forte campo de ativação envolve o reflexo de saltar, dançar, correr, lutar.
É possível ajudar uma pessoa a descobrir, não um salto mecânico, mas um saltar orgânico rítmico, o qual é quase sempre associado com forte alegria e que requer uma coordenação de respirar com flexão e extensão das articulações dos joelhos.
Assim, a pessoa deprimida é uma que não apenas perdeu
contato com a esperança, mas também perdeu o sentimento para
pular em suas pernas, joelhos e tornozelos.
A
criança permanece quieta, absorvida pelo movimento de uma folha
ao vento, ou ela descansa no seio em um estado de semi-transe. Ela é
guiada a receber impressões, a imobilizar sua atividade externa
e maximizar sua percepção interna.
Para algumas pessoas, descansar e absorver tornou-se um estilo secundário de vida que é usado para substituir a atividade e a iniciativa.
No
entanto, para uma pessoa hiperativa, o oposto é verdadeiro: ela
anseia por isto para poder descansar, para absorver, para diminuir o ritmo.
O campo de absorção é o menos dramático de
todos os campos. Alguém pede a uma pessoa que apenas não
faça nada, que permita, que não leve tão à
sério, que experencie o seu próprio interior como uma fonte
de ser, ao invés de ser o centro do fazer.
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Existe uma relação entre a pulsação da respiração e cada um dos pares de campos motores precedentes, particularmente com os quatro primeiros. Se os movimentos de flexão e extensão forem alternados, abrindo e fechando em qualquer articulação do corpo, com sincronização no ritmo da respiração, teremos um processo de coordenação. Esta é visível em micro movimentos da espinha que acontecem na respiração relaxada. Se a pessoa está tensa ou preguiçosa, esta coordenação pode interromper-se.
Se o terapeuta encoraja ou induz um ritmo de abrir e fechar as pernas ou braços, por exemplo, em sincronia com a respiração, existem duas maneiras de criar esta coordenação: chamamos isto de ação de contenção e ação de alívio.
Na ação de contenção nos movimentamos para
fora, inspiramos, estendendo os braços ou pernas na inspiração.
Na ação de alívio nos movimentamos para fora e expiramos,
estendendo os membros na expiração. O primeiro constrói
limites e contém carga: é útil em estados de medo
ou fraqueza. O segundo padrão é útil em estados de
tensão ou bloqueio: ajuda a abrir espaços, expressões
emocionais e carga.
Rubens
Kignel é economista e psicoterapeuta corporal, formado pelo C.B.I. de Zurich
e pelo Intituto de Psicologia Biodinâmica de Londres, fundador do Japonese
Institute for Biosynthesis, membro e representante da Associação
Européia de Psicoterapia Corporal e da École de Psychologie Biodynamique
Evolutive francesa e diretor do Instituto
Brasileiro de Biossíntese.